Como Ajudar a Mudar Times, Ambientes e Lidar com a Resistencia





30 de Setembro de 2020 - #Agilidade



Nós agentes de mudança, geralmente, enfrentamos diariamente grandes dificuldades em manifestar mudanças em nossos ambientes, algumas vezes por conta da resistência, algumas outras por conta de estratégias.


Neste post iremos falar um pouco sobre a resistência e algumas estratégias que podemos seguir para gerar mudanças.





Nos posts anteriores, falamos em Como nos Mudar para Ajudar a Manifestar a Mudança e Como Funciona o Processo de Mudança, se você ainda não leu, dê uma lidinha para ter um contexto e um entendimento mais amplo desse assunto tão importante! =)


Por Que as Pessoas Resistem Tanto A Mudanças?


No aspecto de sobrevivência, como vimos no post anterior, quando precisamos mudar um hábito, existe um gasto energético muito grande que é despendido pelo nosso organismo, por isso naturalmente o ser humano é resistente a mudança a fim de preservar energia para ter que fugir de um leão que possa vir tentar comer ele.


No aspecto psicológico, Peter M. Senge diz que: “As pessoas não resistem a mudanças, elas resistem e ser mudadas!”. Todo ser humano tem um senso de identidade, e todos nós temos receio de sermos mudados, de perdermos a nossa essência. É a síndrome de Gabriela: “Eu nasci assim, eu cresci assim e sou sempre assim, Gabriela...”


No aspecto cultural, quando tentamos mudar a cultura de um ambiente já existente, temos que mudar uma boa porcentagem dos indivíduos já existentes ou os indivíduos chaves, para que estes possam “contaminar” os demais indivíduos da organização gerando uma nova cultura. Um exercício bacana para você poder testar esta questão de “contaminação” de cultura é este site, ele mostra como funciona as conexões entre os seres humanos e como nós acabamos influenciando as pessoas que tem uma conexão mais próxima com a gente.

Para que possamos lidar com essas variáveis precisamos ter uma visão sistêmica de como ele estão dentro do ambiente em que gostaríamos de mudar, criando então uma estratégia que respeite todos estes pontos e que traga os resultados esperados para a sua organização.


Estratégias para Aplicar Mudanças.


Analise o Contexto


Já presenciou algum indivíduo que quando entrou num ambiente novo, tinha tanta vontade de mostrar resultados que acabou atropelando tudo e todos?

Imagine o seguinte cenário, existe uma tribo isolada e eis que chega um novo indiozinho nesta tribo, e do nada ele começa a tentar mudar tudo e reclamar de tudo que a tribo vem fazendo. Esse novo indiozinho começa a falar que sabe fazer as coisas de uma forma muito mais eficiente. Um dia, a tribo e o indiozinho estão caminhando na floresta e do nada, aparece uma onça. Então o indiozinho novo, se prontifica a matar a danada da maneira que ele conhece, pois é a melhor do que a tribo já fez algum dia! O que você acha que acontece com o indiozinho? Ele pode até conseguir matar a onça, mas a possibilidade de que ele tenha que fazer isso sozinho ou de que a própria tribo jogue ele na boca da onça, é bem maior do que o sucesso.


A cultura da Toyota é baseada em cinco princípios, e um deles é respeito pelas pessoas. Devemos respeitar o que já existe e o que já vem sendo feito, afinal funcionou até ali e faz parte da essência e cultura das pessoas que estão envolvidas. Por tanto, quando vamos aplicar uma mudança precisamos analisar todo o contexto e entender na sua raiz o porque aquilo é daquela forma, e então planejar quais serão os próximos passos para melhorar, se for possível ou necessário.


A Importância da Liderança dentro da Mudança.


Seguindo pelo raciocínio de respeito às pessoas, devemos respeitar as lideranças que já estão formadas dentro da organização, e mais importante que isso é garantir que essas lideranças estejam aderentes aos novos modelos de mudança. Quando digo liderança, digo em todos os níveis, destes o CEO, o líder de equipe e até mesmo o líder que não possui o papel mas ainda assim é um líder.


Por questões de sobrevivência, o indivíduo sempre irá respeitar o líder de sua tribo, muitas vezes independentemente se concorda ou não com ele, e outras vezes de forma consciente ou inconsciente. Portanto, para que a mudança ocorra, a liderança deve estar falando a mesma língua que o agente de mudança!


Se possível, traga a liderança da organização para junto da mesa de estratégias de mudança, para que se sintam parte do processo! Se não for possível, garanta que vocês estão falando a mesma língua e de que todos estão alinhados aos objetivos. A liderança deve ser exemplo das novas mudanças, devem ser os early adopters para que possam influenciar toda a organização de forma consistente.


Se existe algo que pode destruir um processo de mudança é, fazer todo o trabalho de base com os times e logo em seguida este trabalho de base ser atravessado por uma decisão da liderança que é contra. quase um gol contra mesmo...



Aplicar a Mudança Respeitando a Formação de Hábitos.


Como conversamos no post anterior (Como nos Mudar para Ajudar a Manifestar a Mudança? e no Como Funciona o Processo de Mudança), todo processo de mudança requer uma mudança de hábito, e por sua vez, requer um gasto energético gigantesco.


Para garantirmos que a mudança ocorra de forma equilibrada, precisamos garantir que temos esse gasto energético alimentado de alguma forma, seja pelo modo evolucionário ou pelo revolucionário.


Além desses modos precisamos usar algumas outras estratégias para realimentar a energia da organização. Podemos criar oportunidades de olhar o passado para comemorar o presente, entre outras variadas ferramentas mas que entrarei em mais detalhes no próximo post. Funciona como se tivéssemos corrido 10km e agora precisamos tomar fôlego, nos hidratar para poder correr mais 20km!


Para que aprender um novo hábito, precisamos substituir um hábito antigo ou criar um novo hábito, e para isso existe um certo tempo de aprendizagem, por tanto é necessário respeitar este processo. Com isso, dê ferramentas para que o time consiga reforçar este novo hábito, dando oportunidades para que eles treinem este aprendizado constantemente. Um ponto importantíssimo é garantir que o hábito foi completamente aprendido antes de seguirmos para um novo, assim garantimos que com o tempo o aprendizado não seja esquecido e que cair em velhos hábitos novamente.


Método Evolucionário


Para times que tem grandes níveis de resistência, a mudança evolucionária pode ser bem recomendada. Como já ouvi Rodrigo Yoshima dizer: “A melhor mudança é aquela que não é identificada ou sentida!”. Isso tem tudo haver com a curva J de mudança Kaizen , ou seja, se temos que mudar alguma coisa, principalmente se essa “coisa” for um hábito, faça a mudança acontecer de uma forma tão pequena que ninguém sinta muito bem ela acontecer.


Faça mudanças pequenas, bem pequeninitias, podem até parecer meio bobas, assim o gasto de energia seu e do time não serão tão grandes.


Por exemplo, vamos supor que o time tenha um board de tarefas já montado, porém ele não utiliza para organizar ou visualizar suas tarefas. Nesse cenário, dado a explicação de mudanças pequenas, o que você adotaria?


  • a) Você marca uma reunião, ameaça e amaldiçoa as 5 próximas gerações das pessoas que não começarem a usar o board de tarefas logo após a reunião?

  • b) Você pensa em formas criativas, como você mesmo puxar a daily com o board aberto, para incentivar o time a começar a utilizar o board de tarefas, comemorando cada vez que sentir o mínimo progresso possível?

Bom, pode ser que algum contexto a alternativa ‘a)’ funcione? Pode, mas estamos falando de mudanças pequenas para gerar o menor grau possível de gasto energético, logo a melhor opção seria a ‘b)’ neste contexto.


Em uma organização que possui uma resistência muito grande, o método evolucionário pode acabar gerando resultados de forma muito mais lenta. Tenha a certeza que esse tipo de resultado esteja alinhado com as expectativas dos stakeholders do projeto de mudança, e tente não desmotivar o time no sentido de que o modelo ágil não esteja evoluindo. Cuidado também em utilizar o modo evolucionário como "muleta" para não mudar nada.


Outro ponto muito importante é sempre validar se essas pequenas mudanças estão realmente fazendo sentido, estão sendo sustentadas e se realmente estamos evoluindo, falamos um pouco sobre isso neste post.


Método Revolucionário


O método revolucionário consiste em aplicarmos uma grande mudança de uma única só vez, se você juntar isso com regras bem claras do que são essas mudanças, treinar muito bem as pessoas, a possibilidade de que de certo é um pouco maior.


Geralmente este tipo de método, se aplicado da forma correta, acarreta em resultados na transformação mais rápidos, porém pode gerar um grande impacto negativo na produtividade das pessoas e até mesmo impactos emocionais em todos envolvidos. Lembre-se, mudança de hábito gera gasto energético mais alto, quanto menos energia temos, mais indispostos a fazer boas escolhas estamos.


Como já falei mais sobre este tema neste post, não vou me prolongar aqui. =)




















Conclusão


No post de hoje falamos um pouco mais sobre estratégias que podemos utilizar para gerar mudanças em nossa organização, times e ambientes. Precisamos garantir sempre que estamos respeitando os indivíduos e organizações já existentes, e tratá-los como seres humanos.


A ideia deste post foi ser um pouco mais abstrato para que no próximo possamos falar mais sobre as ferramentas e práticas que podemos utilizar para alcançar as mudanças! Então não saia daí! (quer dizer, saia sim, vá para o próximo post...rsrs)



#GifMotivacional



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