Quais sãos os tipos de curvas J e como posso identifica-las? Parte 2/2





02 de Setembro de 2020 - #Agilidade



No post anterior, vimos sobre as curvas Kaikaku, Kaizen, e também discutimos sobre as diferenças entre a curva Kaikaku e Kaizen em uma luta dos séculos!!!


E chegou a hora de falarmos sobre as duas outras curvas que faltavam, como e se podemos misturá-las =). Bora lá????





Curva Kakushin


A Kakushin é a curva que tenta fazer a mudança através da inovação disruptiva.





"Jessy, pera, então qual é a diferença entre a Kakushin para o Kaikaku?"


O Kaikaku faz a revolução baseado na premissa que há investimento o suficiente para que esta revolução ocorra. O Kakushin precisa de criatividade para que um novo conceito seja atingido e que o esforço intelectual seja mais importante do que o financeiro.


Poderíamos dizer que as técnicas de lean inception, lean startup fazem sentido neste conceito? De certa forma sim e não, pois o lean inception e lean startup precisam de apoio para que a hipótese de valor seja validada, onde haverá então melhorias incrementais, já o Kakushin não, é inovação onde é tudo ou nada!


Durante um café, o brilhante Willian Richard pensou em um exemplo muito bacana, o exemplo da ida do homem à lua. Foi necessário diversos experimentos e muito investimento para enviar os foguetes para lua, porém, cada lançamento de foguete com tripulação (animal ou humana) era tudo ou nada! E no dia 20 de Julho de 1969 às 20h17 UTC, um ser humano finalmente pisou na lua!





Segundo as pesquisas que fiz a curva Kakushin é ainda uma novidade e por isso não há muitos materiais sobre ela. Eu particularmente ainda não vi um exemplo dela aplicada na realidade ou pelo menos a minha ficha ainda não caiu, se você amigo leitor conhecer alguma coisa, mande para noizes! =)


Curva Kaiaku


É a curva J que levará para um status Quo onde só se perde capacidade (sim, você não leu errado, ela te leva para um Status Quo “pior”!), ela é chamada de curva Kaiaku (Opa, calma lá! Apesar do que ela trás, não se pronuncia caicu, e sim caiAcu).





A curva Kaiaku pode ser gerada de três formas:


A primeira é proposital, onde buscamos um Novo Status Quo e que ele seja pior do que o Status Quo inicial!





"What? Jessy, porque alguém faria isso?"


Talvez para atingir o “fundo do poço”, dando motivos para uma coisa parar ou falir completamente (Lembra da Globodyne no filme As Loucuras de Dick e Jane?). Ou talvez, para despertar a consciência e movimentar para uma nova mudança.


A segunda seria simplesmente pela falta de mudança, conforme as coisas mudam e não reagimos, vamos perdendo capacidade, já que os cenários internos e externos mudam (hello Blackberry).


A terceira forma seria uma mudança que se espera ser positiva e na realidade se torna algo negativo, que inclusive qualquer uma das curvas J (Kaizen, Kaikaku ou Kakushin) podem se transformar. Sim, as curvas de melhoria podem deixar seu cenário pior de forma a não melhorar!





"Jessy, pelo amor dos Deuses da Agilidade!!! Agora confusx ainda, como vou saber se estou numa das outras curvas ou estou nessa????"


Bom, imagine que a organização está executando uma curva Kaizen/Kaikaku/Kakushin ou qualquer ação de melhoria, se ela não for bem avaliada, ela pode sim levar a organização num lugar pior (já vimos como avaliar se estamos saindo do caos na curva J, aqui!).





"Okay Jessy, mas e se a gente estiver no meio da curva J, onde as coisas começam a piorar muito, como vou saber se estou na curva Kaiaku ou no caos de uma outra curva J? "


5 formas de verificar isso (e mesmo assim não é garantido).


A primeira é ter investimento o suficiente e medir até onde a empresa pode “perder” para depois ganhar, de forma que ao término do investimento seja avaliado se continuamos persistindo ou não na mudança, alguns exemplos de métricas de “investimento” de mudança aqui.


A segunda é fazer pequenas mudanças como na curva Kaizen, de forma que toda mudança seja medida e que haja feedbacks o suficiente para garantir que as mudanças fazem sentido ou não, e assim mudar o sentido do “barco” se necessário.


A terceira forma é tentar identificar o que não está indo bem e tentar corrigir de alguma maneira! Por exemplo, imagine que você está seguindo todas as boas práticas ágeis porém não está tendo os resultados desejados. Aqui se cabe algumas perguntas: Será que você realmente entendeu o que é agilidade e está sendo agil ou simplesmente fazendo agil? Será que você engessou muito seus processos e por isso não está conseguindo resultados? Será que as pessoas realmente estão fazendo as boas práticas? Será que você está conseguindo realmente mudar o mindset das pessoas para um ambiente de colaboração? Será que a organização realmente está no momento de aplicar a agilidade? Enfim, há várias perguntas que poderíamos aplicar e tentar entender se estamos indo para a curva Kaiaku ou não


A quarta é ter métricas desde o início do processo (Status Quo Inicial), onde se vá medindo conforme o processo de aprendizagem e de mudança forem acontecendo, até que você consiga perceber que está tendo ganhos de capacidade (isso vai depender também um pouco sobre o quanto a organização está disposta a investir na mudança como vimos acima e no post anterior).


E a quinta, converse com as pessoas envolvidas, entenda o que elas estão sentindo, vendo e pensando, para que você tenha também o cenário inicial e atual na visão delas, e com esta informação, você consiga mudar a direção do barco.


Misture Tudo o Que Há de Bom!





Você pode começar com uma curva Kaiaku para gerar consciência de que é necessário mudar, depois ir para uma curva Kaikaku para que uma grande mudança seja executada e através do seu impacto se atinja um patamar mais alto, e depois através de pequenas mudanças Kaizen você possa ir melhorando constantemente e ir atingindo novos patamares. Esse é só um exemplo do que pode ser feito, misture as curvas da forma que achar melhor para cada cenário e cada contexto que você estiver. Abuse e use deste conhecimento para entender seu contexto atual e mudar a direção do barco.


Conclusão.


Vimos várias curvas hoje e muita coisa bacana sobre como funciona o processo de transformação!


Antes de mais nada, é importante que você, agente transformador, entenda que não, não existe formulinha mágica da mudança! Se houvesse, até minha avó seria ágil! e olha que eu tenho tentando. Baseado nisso, nós, agentes transformadores, somos responsáveis por entender o contexto que estamos, entender as pessoas, processos, produtos e seus históricos e tudo que for necessário para então aplicar as mudanças e avaliar sempre seus impactos.


E ai? Qual delas faz mais sentido para atingir seu novo patamar? Qual pokemon curva você vai escolher?


#GifMotivacional




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